{"id":1767,"date":"2009-02-09T00:00:00","date_gmt":"2009-02-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/uma-nova-economia-nao-significa-o-resgate-de-teses-economicas-ultrapassadas\/"},"modified":"2009-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-09T02:00:00","slug":"uma-nova-economia-nao-significa-o-resgate-de-teses-economicas-ultrapassadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/uma-nova-economia-nao-significa-o-resgate-de-teses-economicas-ultrapassadas\/","title":{"rendered":"Uma nova economia n\u00e3o significa o resgate de teses econ\u00f4micas ultrapassadas"},"content":{"rendered":"<p>O pouco debate at\u00e9 o momento produzido no Brasil a respeito da crise que assola o mundo tem apresentado poucos resultados produtivos. Em meio a algumas boas ideias a respeito dos novos caminhos a serem trilhados, temos encontrado muitas teses econ\u00f4micas historicamente ultrapassadas sendo novamente trazidas \u00e0 tona. Apregoa-se o fim da economia de mercado. Mas, sem a liberdade de concorr\u00eancia caracter\u00edstica deste sistema econ\u00f4mico, n\u00e3o se pode fazer mais do que piorar as perspectivas para o nosso futuro.<\/p>\n<p>Concorr\u00eancia significa competi\u00e7\u00e3o. Na competi\u00e7\u00e3o, os melhores s\u00e3o premiados. Os pr\u00eamios estimulam a busca pela efici\u00eancia. E a busca pela efici\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 melhora a qualidade de vida das pessoas. Ela permite a sobreviv\u00eancia em uma era marcada pelos desafios energ\u00e9ticos, ambientais e nutricionais.<\/p>\n<p>A alternativa hist\u00f3rica ao sistema de livre concorr\u00eancia materializou-se nas economias centralizadas. Todas naufragaram por raz\u00f5es entre as quais se destaca a inefici\u00eancia econ\u00f4mica. Em um sistema econ\u00f4mico em que os agentes econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o pressionados pela competi\u00e7\u00e3o, produz-se mal, produz-se pouco e produz-se caro. <\/p>\n<p>Em 9 de novembro de 1989 foi derrubado o muro de Berlim. Com ele se foram os sonhos de muitos rom\u00e2nticos no Ocidente. Onde vislumbr\u00e1vamos uma sociedade igualit\u00e1ria e digna abriu-se a realidade de povos sofridos e igualmente pobres (com a evidente exce\u00e7\u00e3o das classes dirigentes). Faltavam alimentos. Faltavam empregos. Faltava conforto. Faltava confian\u00e7a na alternativa socialista.<\/p>\n<p>O que se percebeu de forma clara \u00e9 que o Estado n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es de impor uma economia centralizada. Percebeu-se que a tese de Marx estava historicamente superada. N\u00e3o porque estivesse errada. Os tempos \u00e9 que mudaram.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XIX, quando foi editado o Manifesto Comunista e, posteriormente, o monumental O Capital, a ordem econ\u00f4mica estava fundada nas atividades industriais intensivas em m\u00e3o de obra, pouco dependentes de tecnologia e dominadas por uma classe que n\u00e3o conquistou sua privilegiada posi\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia de seus m\u00e9ritos pessoais. Os capitalistas auferiam seus lucros simplesmente porque tinham recursos suficientes para montar as pesadas f\u00e1bricas, e lot\u00e1-las com trabalhadores, que geravam riqueza a partir de seus bra\u00e7os. A efici\u00eancia econ\u00f4mica era uma consequ\u00eancia da escala com que se desenvolvia a atividade econ\u00f4mica. Para implement\u00e1-la, bastava ter dinheiro, para ent\u00e3o ganhar muito mais dinheiro por meio da apropria\u00e7\u00e3o da mais valia (definida por Marx como a produ\u00e7\u00e3o excedente do trabalhador, na forma do trabalho desenvolvido ap\u00f3s a cobertura dos custos com os seus sal\u00e1rios). <\/p>\n<p>Esta era uma situa\u00e7\u00e3o claramente injusta, especialmente porque a posi\u00e7\u00e3o privilegiada da classe burguesa n\u00e3o derivava de sua compet\u00eancia pessoal, mas sim de sua origem, usualmente vinculada \u00e0 nobreza. A solu\u00e7\u00e3o ao problema social da\u00ed decorrente parecia \u00f3bvia. Considerando que a organiza\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica n\u00e3o dependia de dom\u00ednio de novas tecnologias, mas sim da atribui\u00e7\u00e3o de tarefas \u00e0 massa trabalhadora, bem como que era socialmente ileg\u00edtima a posi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio (e a reten\u00e7\u00e3o dos resultados) por parte dos burgueses, ganharam for\u00e7a as teses fundadas na apropria\u00e7\u00e3o estatal dos meios de produ\u00e7\u00e3o, afastando a burguesia de sua privilegiada posi\u00e7\u00e3o, para, ao final, proceder a uma justa distribui\u00e7\u00e3o de toda a riqueza criada no Estado.<\/p>\n<p>Deste racioc\u00ednio econ\u00f4mico nasceram os sonhos pela estrutura\u00e7\u00e3o de sociedades igualit\u00e1rias. Sonhos que se materializaram nos estados al\u00e9m da cortina de ferro. <\/p>\n<p>Ainda que se deva questionar fortemente a maneira como transcorreu a implanta\u00e7\u00e3o de tais estados, especialmente na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (n\u00e3o houve propriamente uma revolu\u00e7\u00e3o social, fundada no senso de fraternidade, mas uma violenta domina\u00e7\u00e3o militar), nas primeiras d\u00e9cadas no novo regime os resultados econ\u00f4micos foram evidentes. Estados agr\u00e1rios se transformaram em pot\u00eancias econ\u00f4micas, que foram capazes de fazer frente a Hitler e de lan\u00e7ar o homem ao espa\u00e7o, entre outras importantes conquistas. <\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1950, contudo, os resultados deixaram de ser motivo de comemora\u00e7\u00e3o. Mesmo que parcialmente ocultada por uma pesad\u00edssima propaganda governamental, a pobreza alastrou-se. Aos poucos a centraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o se mostrou eficiente nem mesmo para colocar comida na mesa dos cidad\u00e3os. Basta relembrar a triste hist\u00f3ria pela qual passaram os chineses durante a d\u00e9cada de 1970. Sob a m\u00e3o pesada Mao Ts\u00e9 Tung, 30 milh\u00f5es morreram de fome. <\/p>\n<p>Percebeu-se ent\u00e3o o \u00f3bvio. A economia n\u00e3o era mais movida pelas engrenagens estudadas por Marx. Ind\u00fastrias meramente intensivas em m\u00e3o de obra n\u00e3o mais eram capazes de competir. A efici\u00eancia econ\u00f4mica n\u00e3o era mais fruto da maximiza\u00e7\u00e3o do trabalho, mas sim da intensifica\u00e7\u00e3o de tecnologia. Tecnologia que, hoje, produz cerca de 80% da riqueza do mundo. Tecnologia que as economias centralizadas n\u00e3o eram capazes de produzir por uma quest\u00e3o simples: falta de competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfim, a riqueza n\u00e3o era mais produzida por bra\u00e7os, mas sim por c\u00e9rebros motivados. At\u00e9 que o muro fosse derrubado, os estados sovi\u00e9ticos tinham bra\u00e7os e c\u00e9rebros. Mas n\u00e3o havia a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Resgatar estas teses seria esquecer um s\u00e9culo de hist\u00f3ria. \u00c9 evidente que a ordem econ\u00f4mica deve ter seus rumos corrigidos. Mas isto n\u00e3o significa voltar ao s\u00e9culo XIX.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pouco debate at\u00e9 o momento produzido no Brasil a respeito da crise que assola o mundo tem apresentado poucos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"_wds_title":"","_wds_metadesc":"","_wds_focus-keywords":"","_wds_meta-robots-adv":"","_wds_meta-robots-noindex":false,"_wds_meta-robots-nofollow":false,"_wds_meta-robots-index":false,"_wds_meta-robots-follow":false,"_wds_autolinks-exclude":false,"_wds_canonical":"","_wds_redirect":"","_wds_opengraph":{"title":"","description":"","images":[""]},"_wds_twitter":{"title":"","description":"","images":[""]},"wds_primary_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1767","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1767\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}