{"id":1769,"date":"2009-01-26T00:00:00","date_gmt":"2009-01-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/analise-economica-do-direito-e-a-crise\/"},"modified":"2009-01-26T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-26T02:00:00","slug":"analise-economica-do-direito-e-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/analise-economica-do-direito-e-a-crise\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise econ\u00f4mica do direito e a crise"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o vai demorar para que os detratores da an\u00e1lise econ\u00f4mica do direito somem a seu repert\u00f3rio um novo argumento: a crise. Alegar\u00e3o que a vis\u00e3o econ\u00f4mica do mundo n\u00e3o se justifica, j\u00e1 que a economia de mercado n\u00e3o se sustentou. Afirmar\u00e3o, com ar de vit\u00f3ria, que o modelo econ\u00f4mico fracassou e que seus m\u00e9todos e princ\u00edpios devem ser esquecidos. E fechar\u00e3o olhos e ouvidos \u00e0queles que ousarem incluir a express\u00e3o &#8220;efici\u00eancia econ\u00f4mica&#8221; em suas an\u00e1lises. <\/p>\n<p>Bem sabemos que a racionalidade costuma fugir de debates ideologizados. O estudo cient\u00edfico dos dados e fatos cede lugar \u00e0 defesa de uma posi\u00e7\u00e3o estanque. Mas a paix\u00e3o, nestas an\u00e1lises, em nada colabora para que a crise seja enfrentada e superada. Tamb\u00e9m sabemos que qualquer ataque \u00e0 ordem capitalista e aos seus m\u00e9todos de estudo ficou muito mais simp\u00e1tico nestes tempos em que os mercados geram incerteza e preju\u00edzo. Nada melhor do que atacar. De prefer\u00eancia, sem oferecer solu\u00e7\u00f5es realiz\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas vamos tentar manter a raz\u00e3o como guia de nossas an\u00e1lises. E, com este esp\u00edrito, vamos enfrentar a seguinte quest\u00e3o: se uma interpreta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 limitada, seria vi\u00e1vel a sua substitui\u00e7\u00e3o por uma interpreta\u00e7\u00e3o antiecon\u00f4mica (ou antiefici\u00eancia), que desconsidere as consequ\u00eancias econ\u00f4micas dos fatos jur\u00eddicos?<\/p>\n<p>Minha resposta \u00e9 n\u00e3o. E o argumento fundamental \u00e9 simples: precisamos da efici\u00eancia do mercado para sobreviver. Sem a busca pela efici\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Sem desenvolvimento tecnol\u00f3gico, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se produzir alimentos e de se implementar solu\u00e7\u00f5es ambientais que permitam manter uma popula\u00e7\u00e3o crescente em um ambiente com recursos naturais escassos. Isso para falar no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A crise refor\u00e7ou uma li\u00e7\u00e3o antevista pela grande maioria dos te\u00f3ricos. Ela deixou ainda mais claros os danos que podem advir de um sistema de plena liberdade de mercado. Como bem sintetizou Joseph Stiglitz, &#8220;sem regulamenta\u00e7\u00e3o nem interven\u00e7\u00e3o apropriada do governo, os mercados n\u00e3o levam \u00e0 efici\u00eancia econ\u00f4mica.&#8221; Ou seja: o problema n\u00e3o est\u00e1 na busca pela efici\u00eancia econ\u00f4mica, mas sim na aus\u00eancia (proposital ou n\u00e3o) de regula\u00e7\u00e3o de agentes econ\u00f4micos que buscam solu\u00e7\u00f5es imediata e individualmente compensadoras, ainda que gerem custos sociais incalcul\u00e1veis. O problema central da primeira fase da crise n\u00e3o foi a exist\u00eancia de mecanismos de cr\u00e9dito vinculados ao mercado financeiro, mas sim a falta de controle do movimento de alavancagem excessiva das opera\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m, devemos tamb\u00e9m considerar o fato de que a economia de mercado \u00e9 uma realidade que n\u00e3o sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es no curto e no m\u00e9dio prazo. Agentes econ\u00f4micos com grande poder de imposi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas comerciais e h\u00e1bitos de consumo surgir\u00e3o, declinar\u00e3o e ser\u00e3o substitu\u00eddos por outros. Neste ambiente, se os aplicadores do direito n\u00e3o estiverem familiarizados com a l\u00f3gica e os m\u00e9todos econ\u00f4micos, n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de fazer uma leitura suficiente dos fatos jur\u00eddicos. Para tanto, com ou sem crise, \u00e9 necess\u00e1rio suporte nos m\u00e9todos da an\u00e1lise econ\u00f4mica do direito.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o se est\u00e1 a propor que os postulados da Escola de Chicago s\u00e3o suficientes para a an\u00e1lise dos fatos jur\u00eddicos. Seus resultados somente ser\u00e3o v\u00e1lidos se forem confirmados pelas conclus\u00f5es advindas da aplica\u00e7\u00e3o de outros caminhos hermen\u00eauticos. Mas, ainda que n\u00e3o se mostre suficiente, a an\u00e1lise econ\u00f4mica do direito n\u00e3o s\u00f3 continua importante; ela se torna ainda mais relevante em uma \u00e9poca em que o sistema econ\u00f4mico deve ser aprimorado e n\u00e3o abandonado.<\/p>\n<p>Se dermos vaz\u00e3o ao natural sentimento de contrariedade \u00e0s an\u00e1lises econ\u00f4micas; se deixarmos de lado a busca pela efici\u00eancia econ\u00f4mica; se nos concentrarmos em apregoar o fim de algo que n\u00e3o se extinguir\u00e1 t\u00e3o cedo, n\u00e3o faremos mais do que colaborar para que os muitos desvios de uma economia sem controle aumentem em quantidade e intensidade. Diante de um problema real, de nada adiante fechar os olhos ou fugir para um mundo imagin\u00e1rio. \u00c9 necess\u00e1rio trabalhar para compreender a realidade, aprender com os erros e seguir caminhando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o vai demorar para que os detratores da an\u00e1lise econ\u00f4mica do direito somem a seu repert\u00f3rio um novo argumento: a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"wds_primary_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1769","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}