{"id":1771,"date":"2009-01-05T00:00:00","date_gmt":"2009-01-05T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/2009-o-ano-da-crise\/"},"modified":"2009-01-05T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-05T02:00:00","slug":"2009-o-ano-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/2009-o-ano-da-crise\/","title":{"rendered":"2009: o ano da crise"},"content":{"rendered":"<p>Seria engra\u00e7ado, se n\u00e3o fosse triste e preocupante. H\u00e1 um ano, nesta mesma coluna, revelei minhas preocupa\u00e7\u00f5es para 2008. O principal palpite, em uma \u00e9poca de loas ao nosso crescimento econ\u00f4mico, era o de que seria um ano perdido. Embalados pela doce ilus\u00e3o de um crescimento inercial, deixar\u00edamos de promover as reformas necess\u00e1rias para um desenvolvimento sustent\u00e1vel, ficando para tr\u00e1s do resto do mundo (&#8220;2008: o lado negativo da estabilidade&#8221; acesso em www.paranaonline.com.br). Ou seja: o problema era a estabilidade. Doce problema.<\/p>\n<p>Foi-se a estabilidade. O ciclo dourado de crescimento foi substitu\u00eddo pela crise. De t\u00e3o grave, ela nem tem um nome especial, como foi o caso da crise do petr\u00f3leo, da crise dos m\u00edsseis e tantas outras. \u00c9 simplesmente a crise. <\/p>\n<p>Nos tempos de crise, as verdades se escancaram. Duas delas, sempre negadas pelo governo federal, est\u00e3o \u00e0 nossa frente, sem possibilidade de contorno ret\u00f3rico ou nega\u00e7\u00e3o contumaz. A primeira \u00e9 a de que a crise j\u00e1 est\u00e1 afetando, e severamente, o Brasil. Segundo nosso presidente, sentir\u00edamos apenas uma marola em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 tempestade que assolava outros pa\u00edses. Algumas vezes o presidente se referiu \u00e0 &#8220;crise dos americanos&#8221;. Mas a Bovespa fechou 2008 revelando perdas superiores a 41% sobre o valor das a\u00e7\u00f5es nela cotadas. Mais de 41% do valor de mercado de nossas principais companhias virou p\u00f3. Acho que n\u00e3o d\u00e1 mais para fingir que n\u00e3o temos nada com a crise. <\/p>\n<p>A segunda das verdades da crise \u00e9 a de que dela n\u00e3o se pode sair sem a tomada de medidas severas. Medidas que n\u00e3o foram tomadas no passado, ao contr\u00e1rio do que alega nosso presidente, e que n\u00e3o est\u00e3o sendo tomadas no presente. Lula afirma quase diariamente que n\u00f3s nos preparamos para a crise. Mas, at\u00e9 agora, n\u00e3o explicou quais foram estas milagrosas medidas preparat\u00f3rias. A exist\u00eancia de reservas cambiais n\u00e3o nos blinda, e n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito deste governo.<\/p>\n<p>A respeito da primeira das verdades, cabe fazer uma explica\u00e7\u00e3o complementar. A crise est\u00e1 dividida em dois momentos. O primeiro deles foi a crise de cr\u00e9dito derivada da descoberta de opera\u00e7\u00f5es financeiras excessivamente alavancadas. N\u00e3o sentimos mais fortemente seus efeitos imediatos principalmente em raz\u00e3o do atraso de nossa economia. Mas o mundo logo percebeu que n\u00e3o se tratava apenas de lidar com os reflexos da quebra de algumas importantes institui\u00e7\u00f5es financeiras. O problema era outro. A crise no setor financeiro era o sintoma de algo mais grave, que \u00e9 a crise no consumo. Melhor dizendo, a crise da previsibilidade do consumo. O super-endividamento dos consumidores, a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos de consumo, a diminui\u00e7\u00e3o do poder de imposi\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de consumo por meio da m\u00eddia (que n\u00e3o est\u00e1 mais centrada em uns poucos canais de televis\u00e3o) e, principalmente, o medo de consumo das reservas em um ambiente em que a possibilidade de desemprego \u00e9 alta, trazem dois efeitos econ\u00f4micos graves. O primeiro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o imediata no faturamento dos agentes econ\u00f4micos. A segunda, e muito mais complicada, \u00e9 a falta de previsibilidade do faturamento no futuro, o que dificulta as proje\u00e7\u00f5es de risco e torna mais complexo n\u00e3o s\u00f3 o processo decis\u00f3rio de manter ou ampliar as atividades, como tamb\u00e9m de buscar fontes de financiamento que acreditem na viabilidade econ\u00f4mica dos empreendimentos. Esta \u00e9 crise. \u00c9 sobre esta realidade que temos que trabalhar.<\/p>\n<p>S\u00e3o fatos econ\u00f4micos graves. Fatos econ\u00f4micos que n\u00e3o se afastam sem a tomada de medidas governamentais s\u00e9rias. At\u00e9 o momento, nosso governo federal tomou algumas medidas paliativas. Al\u00e9m disso, promoveu muita propaganda. Basicamente, negou o problema. O pre\u00e7o vir\u00e1.<\/p>\n<p>Em seu excepcional &#8220;C\u00f3digo da Vida&#8221;, Saulo Ramos recomenda ao nosso presidente a leitura do livro &#8220;O Fim da Pobreza&#8221;, de Jeffrey Sachs. Como disse o autor, em sua recomenda\u00e7\u00e3o, &#8220;ler um livro, ainda que seja um s\u00f3, n\u00e3o far\u00e1 mal algum&#8221; (p. 301). Armado da mesma esperan\u00e7a, eu recomendaria uma leitura, com os olhos no presente, do monumental &#8220;Mem\u00f3rias da Segunda Guerra Mundial&#8221;, de Winston Churchill. O principal personagem da maior das crises do \u00faltimo s\u00e9culo nos ensina que a nega\u00e7\u00e3o da realidade somente piora as consequ\u00eancias, ao comentar os anos que antecederam \u00e0 Guerra. Ensina mais. Para ficar no chav\u00e3o: sem sangue, suor, l\u00e1grimas e trabalho n\u00e3o se pode vencer. <\/p>\n<p>Em tempo: entre outras distin\u00e7\u00f5es merit\u00f3rias, Churchill ganhou um Pr\u00eamio Nobel de Literatura. No Brasil, ser iletrado tornou-se mote eleitoral. Para isso tamb\u00e9m h\u00e1 um pre\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria engra\u00e7ado, se n\u00e3o fosse triste e preocupante. 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