{"id":1798,"date":"2013-08-05T00:00:00","date_gmt":"2013-08-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/proprietarios-de-terreno-nao-devem-responder-solidariamente-por-quebra-de-contrato-da-construtora\/"},"modified":"2024-06-06T13:30:13","modified_gmt":"2024-06-06T16:30:13","slug":"proprietarios-de-terreno-nao-devem-responder-solidariamente-por-quebra-de-contrato-da-construtora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/proprietarios-de-terreno-nao-devem-responder-solidariamente-por-quebra-de-contrato-da-construtora\/","title":{"rendered":"Propriet\u00e1rios de terreno n\u00e3o devem responder solidariamente por quebra de contrato da construtora"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento ao recurso especial de um casal que, ap\u00f3s vender terreno a uma construtora do Rio Grande do Sul, foi condenado solidariamente a pagar indeniza\u00e7\u00e3o pela paralisa\u00e7\u00e3o das obras do empreendimento imobili\u00e1rio que seria constru\u00eddo no local. <\/p>\n<p>Surpreendidos com a not\u00edcia da fal\u00eancia da empresa e a consequente suspens\u00e3o das obras, compradores das unidades ajuizaram a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos contra a construtora, seus s\u00f3cios e tamb\u00e9m contra o casal que vendeu o terreno. <\/p>\n<p>Entre outras coisas, alegaram que n\u00e3o teria ocorrido venda do terreno \u00e0 construtora, mas uma simula\u00e7\u00e3o, com permuta por \u00e1rea constru\u00edda, o que teria mantido o casal na condi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio do im\u00f3vel. <\/p>\n<p>Em outra a\u00e7\u00e3o, anterior, o casal vendedor havia conseguido a rescis\u00e3o do contrato com a empresa e a reintegra\u00e7\u00e3o na posse do im\u00f3vel, mas foi obrigado a pagar \u00e0 massa falida as benfeitorias j\u00e1 constru\u00eddas no local. <\/p>\n<p>Na senten\u00e7a, o juiz reconheceu a responsabilidade da construtora e dos s\u00f3cios, mas afastou a obriga\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios do terreno. Os clientes, ent\u00e3o, entraram com apela\u00e7\u00e3o no Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (TJRS), que reformou a senten\u00e7a e reconheceu a responsabilidade solid\u00e1ria do casal. <\/p>\n<p>Valoriza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Segundo o ac\u00f3rd\u00e3o, a responsabiliza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria foi consequ\u00eancia da forma como se deu o neg\u00f3cio entre as partes envolvidas. A decis\u00e3o destacou que, no pre\u00e7o do terreno, foi embutida a valoriza\u00e7\u00e3o do empreendimento, com a proje\u00e7\u00e3o de lucro representado pelo edif\u00edcio que ali seria erguido. Tamb\u00e9m foi levado em considera\u00e7\u00e3o o fato de a compra e venda e a incorpora\u00e7\u00e3o n\u00e3o terem sido registradas. <\/p>\n<p>Para os desembargadores, uma vez que os propriet\u00e1rios do terreno consentiram com a realiza\u00e7\u00e3o do projeto de forma irregular, inclusive com ampla divulga\u00e7\u00e3o comercial, deveriam responder solidariamente pelos preju\u00edzos causados aos compradores dos im\u00f3veis. O TJRS considerou que haveria rela\u00e7\u00e3o de consumo entre os propriet\u00e1rios do terreno e os compradores das unidades habitacionais. <\/p>\n<p>Em recurso ao STJ, o casal alegou que sua rela\u00e7\u00e3o com a construtora se limitou a uma opera\u00e7\u00e3o de compra e venda e que o pre\u00e7o ajustado seria pago em dinheiro, parceladamente, e n\u00e3o em \u00e1rea constru\u00edda, o que n\u00e3o permite sua caracteriza\u00e7\u00e3o como s\u00f3cios do empreendimento. <\/p>\n<p>Equipara\u00e7\u00e3o indevida<\/p>\n<p>O ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, relator, afastou a possibilidade de equipara\u00e7\u00e3o dos vendedores do terreno ao incorporador. Para o ministro, \u201ca caracteriza\u00e7\u00e3o como incorporador pressup\u00f5e a pr\u00e1tica efetiva, pelo propriet\u00e1rio do terreno, de atividade de promo\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o condominial\u201d. <\/p>\n<p>Segundo o ministro, o tribunal estadual se equivocou ao cobrar dos propriet\u00e1rios do terreno obriga\u00e7\u00f5es impostas pela lei de incorpora\u00e7\u00f5es aos incorporadores, como o registro do projeto. <\/p>\n<p>Salom\u00e3o lembrou precedentes da Quarta Turma no sentido de que a Lei de Incorpora\u00e7\u00f5es (Lei 4.591\/64) equipara o propriet\u00e1rio do terreno ao incorporador, desde que aquele pratique alguma atividade condizente com a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica incorporativa, atribuindo-lhe, nessa hip\u00f3tese, responsabilidade solid\u00e1ria pelo empreendimento imobili\u00e1rio. <\/p>\n<p>No caso julgado agora, todavia, o casal limitou-se \u00e0 mera aliena\u00e7\u00e3o do terreno para a incorporadora, que tomou para si a responsabilidade exclusiva pela constru\u00e7\u00e3o do empreendimento. <\/p>\n<p>Quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do terreno e a poss\u00edvel proje\u00e7\u00e3o do lucro decorrente da constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, o ministro destacou que a senten\u00e7a, com base em prova pericial, consignou que o contrato de compra e venda foi celebrado de forma l\u00edcita, afastando a tese de simula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O ministro Salom\u00e3o tamb\u00e9m refutou a incid\u00eancia do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor na rela\u00e7\u00e3o entre o casal e os compradores das unidades. Para o relator, os propriet\u00e1rios do im\u00f3vel \u201cn\u00e3o ostentam a condi\u00e7\u00e3o de fornecedores\u201d, porque n\u00e3o prestaram nenhum servi\u00e7o nem ofereceram nenhum produto aos clientes da construtora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) deu provimento ao recurso especial de um casal que, ap\u00f3s vender [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"wds_primary_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nao-categorizado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}