{"id":1953,"date":"2014-04-14T00:00:00","date_gmt":"2014-04-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/remessas-ao-exterior-em-pagamento-pela-prestacao-de-servicos-nao-retencao-do-imposto-de-renda\/"},"modified":"2014-04-14T00:00:00","modified_gmt":"2014-04-14T03:00:00","slug":"remessas-ao-exterior-em-pagamento-pela-prestacao-de-servicos-nao-retencao-do-imposto-de-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/remessas-ao-exterior-em-pagamento-pela-prestacao-de-servicos-nao-retencao-do-imposto-de-renda\/","title":{"rendered":"Remessas ao exterior em pagamento pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u2013 n\u00e3o reten\u00e7\u00e3o do imposto de renda"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito se discute a necessidade de reten\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda (IRRF) sobre remessas ao exterior pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os t\u00e9cnicos em que n\u00e3o haja transfer\u00eancia de tecnologia a residentes em pa\u00edses com os quais o Brasil possua tratado para evitar \u201cbitributa\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nApesar de alguns acordos preverem que o lucro das empresas estrangeiras, somente s\u00e3o tribut\u00e1veis nos pa\u00edses em que estas \u201cresidirem\u201d (exceto nos casos em que haja estabelecimento permanente no Brasil), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal do Brasil (RFB), por meio do Ato Declarat\u00f3rio Normativo Cosit n\u00ba 01\/00 e do Parecer PGFN\/CAT n\u00ba 776\/11, exararam entendimento de que os tratados firmados n\u00e3o se aplicavam a estes casos.<br \/>\nComo fundamento para este entendimento, sustentavam que as remessas ao exterior n\u00e3o deveriam ser qualificadas como lucro do prestador de servi\u00e7os, mas sim como receita. Desta forma, tratando-se de rendimentos n\u00e3o expressamente mencionados nas Conven\u00e7\u00f5es, estes deveriam sofrer reten\u00e7\u00e3o no Brasil segundo a previs\u00e3o contida no art. 7\u00b0 da Lei n\u00b0 9.779\/99, regulamentado pelo art. 685, II, al\u00ednea \u201ca\u201d, do Decreto 3.000\/99, ou seja, com IRRF \u00e0 al\u00edquota de 25%.<br \/>\nPor meio da Nota Cosit n\u00ba 23\/13, exarada pela RFB em resposta \u00e0 manifesta inten\u00e7\u00e3o do Governo Finland\u00eas de apresentar den\u00fancia do acordo para evitar a dupla tributa\u00e7\u00e3o firmado com o Brasil, na hip\u00f3tese de se confirmar entendimento favor\u00e1vel \u00e0 reten\u00e7\u00e3o no Brasil nas remessas em pagamento por servi\u00e7os t\u00e9cnicos realizados na Finl\u00e2ndia, reconheceu-se a necessidade de revis\u00e3o dos fundamentos do Ato Declarat\u00f3rio Normativo COSIT n\u00ba 01\/00. Destaque-se que recentes decis\u00f5es do Poder Judici\u00e1rio brasileiro (i. e. RE 1.161.467\/RS) t\u00eam sido contr\u00e1rias ao entendimento original da RFB, o que favoreceu o cen\u00e1rio para uma reavalia\u00e7\u00e3o do tema pelo Poder Executivo.<br \/>\nNesse sentido, por meio do Parecer PGFN\/CAT n\u00ba 2.363\/13, a PGFN reformou seu entendimento, reconhecendo que o termo \u201clucro da empresa estrangeira\u201d deve ser interpretado como \u201clucro operacional\u201d, este compreendido como \u201co resultado das atividades principais ou acess\u00f3rias, que constituam objeto da pessoa jur\u00eddica\u201d (art. 11 do Decreto-Lei 1.598\/77), inclu\u00eddo nesse conceito o rendimento pago ao exterior como contrapartida de servi\u00e7os t\u00e9cnicos em que n\u00e3o haja transfer\u00eancia de tecnologia.<br \/>\nVale destacar que o entendimento exarado no referido Parecer encontra-se alinhado com a posi\u00e7\u00e3o adotada pela grande maioria dos pa\u00edses signat\u00e1rios de tratados internacionais para evitar \u201cbitributa\u00e7\u00e3o\u201d e vai, justamente, ao encontro do posicionamento adotado pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (\u201cOCDE\u201d).<br \/>\nConsiderando a recente publica\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa RFB n\u00ba 1.455\/14 e, ainda, o fato de que at\u00e9 o presente momento n\u00e3o se tem not\u00edcia da revoga\u00e7\u00e3o do Ato Declarat\u00f3rio Normativo Cosit n\u00ba 01\/00, tudo isso combinado com a aus\u00eancia de publica\u00e7\u00e3o de Ato que aprove o entendimento do Parecer PGFN\/CAT n\u00ba 2.363\/13 pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, entendemos que deve ser avaliada com cautela a possibilidade de as empresas nacionais deixarem de reter e recolher o IRRF sobre remessa de pagamentos pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os t\u00e9cnicos em que n\u00e3o haja transfer\u00eancia de tecnologia, a residentes em pa\u00edses com os quais o Brasil possua tratado para evitar \u201cbitributa\u00e7\u00e3o\u201d nos moldes acima tratados.<br \/>\nN\u00e3o obstante, evidentemente, estamos diante de uma real oportunidade (seja administrativa ou judicialmente) para a n\u00e3o reten\u00e7\u00e3o e recolhimento, assim como para recuperar os valores de IRRF indevidamente retidos, devendo ser avaliado nesse caso quem assumiu o \u00f4nus do imposto para se determinar a legitimidade ativa para o exerc\u00edcio do respectivo direito.<\/p>\n<p><em>*Fernando Quaresma (fpq@localhost) e Marcelo Pissetti (msp@localhost) s\u00e3o advogados do escrit\u00f3rio Marins e Bertoldi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito se discute a necessidade de reten\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda (IRRF) sobre remessas ao exterior pela presta\u00e7\u00e3o de 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