{"id":2022,"date":"2014-10-08T00:00:00","date_gmt":"2014-10-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/credito-do-reintegra-e-incidencia-de-irpj-e-csll\/"},"modified":"2014-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2014-10-08T03:00:00","slug":"credito-do-reintegra-e-incidencia-de-irpj-e-csll","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/credito-do-reintegra-e-incidencia-de-irpj-e-csll\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito do Reintegra e incid\u00eancia de IRPJ e CSLL"},"content":{"rendered":"<p>A Receita Federal do Brasil publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o do \u00faltimo dia 30 a Solu\u00e7\u00e3o de Consulta Cosit n\u00ba 240, a qual consolidou o entendimento de que os valores dos cr\u00e9ditos apurados pelos exportadores no \u00e2mbito do Reintegra (Regime Especial de Reintegra\u00e7\u00e3o de Valores Tribut\u00e1rios) devem ser tributados para fins de IRPJ e CSLL.<\/p>\n<p>O Reintegra foi inserido no sistema tribut\u00e1rio por meio da Lei 12.546\/2011, que decorreu da convers\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 540\/2011, com o objetivo de reintegrar valores referentes aos custos tribut\u00e1rios federais residuais da cadeia produtiva de bens manufaturados.<\/p>\n<p>Para tanto, concedeu um cr\u00e9dito para as empresas exportadoras no percentual de 3% sobre a receita decorrente da exporta\u00e7\u00e3o, o qual poderia ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o ou ressarcimento.<\/p>\n<p>De acordo com a referida Solu\u00e7\u00e3o de Consulta, a Receita Federal entendeu que estes cr\u00e9ditos t\u00eam natureza de subven\u00e7\u00e3o governamental e, por este motivo, devem ser considerados no lucro operacional da empresa, sofrendo, consequentemente, a incid\u00eancia do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no artigo 392 do Decreto 3.000\/99 (Regulamento do Imposto de Renda).<\/p>\n<p>Apesar deste entendimento, o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o j\u00e1 se manifestou no sentido de que a natureza dos cr\u00e9ditos do Reintegra \u00e9 de incentivo fiscal e n\u00e3o de subven\u00e7\u00e3o, sob o fundamento de que na subven\u00e7\u00e3o ocorre a transfer\u00eancia de recursos pelo Estado ao contribuinte, o que n\u00e3o ocorre com o cr\u00e9dito do Reintegra. Portanto, n\u00e3o seria devido IRPJ e CSLL sobre tais valores.<\/p>\n<p>Em verdade, o cr\u00e9dito do Reintegra foi institu\u00eddo como incentivo fiscal com objetivo de reduzir os custos tribut\u00e1rios residuais suportados pelo exportador na cadeia produtiva de bens manufaturados e com a finalidade de estimular as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Importante lembrar que o IRPJ e a CSLL incidem sobre a disponibilidade econ\u00f4mica ou jur\u00eddica da renda oriunda do capital e do trabalho e proventos de qualquer natureza, desde que haja acr\u00e9scimo patrimonial, de acordo com o previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional. Assim, considerando que o cr\u00e9dito do Reintegra n\u00e3o se subsume a hip\u00f3tese de incid\u00eancia dos tributos em quest\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em tributa\u00e7\u00e3o de IRPJ e CSLL, pois (i) n\u00e3o se trata de renda de capital e do trabalho; (ii) n\u00e3o h\u00e1 acr\u00e9scimo patrimonial mas sim transfer\u00eancia patrimonial, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 receita ou rendimento posto que esta deriva de uma a\u00e7\u00e3o de terceiro, de car\u00e1ter gratuito e n\u00e3o oneroso, sem a necessidade de contrapresta\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica, n\u00e3o importando em renda ou provento desta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, insta destacar que se o objetivo da Lei que instituiu o referido benef\u00edcio fiscal \u00e9 reintegrar valores referentes aos custos tribut\u00e1rios federais residuais da cadeia produtiva de bens, tributar esses valores acarretar\u00e1 em diminui\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia do diploma legal, j\u00e1 que com a tributa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito do Reintegra reduzir\u00e1 o valor do incentivo fiscal de 3% para 1,98% (considerando a incid\u00eancia de 34% de IRPJ e CSLL), provid\u00eancia que contraria o pr\u00f3prio esp\u00edrito da lei de ressarcir os custos tribut\u00e1rios residuais na exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste sentido, o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o j\u00e1 se pronunciou em favor do contribuinte quando afirmou que deve prevalecer a inten\u00e7\u00e3o do legislador constituinte de desonerar as exporta\u00e7\u00f5es, mediante a cria\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio fiscal. N\u00e3o se pode admitir que o fisco diminua um benef\u00edcio que foi concedido e est\u00e1 garantido em lei, sob pena de violar os princ\u00edpios da razoabilidade e proporcionalidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o suficiente, a MP 651\/14, que reestabeleceu o Reintegra, trouxe expressamente que o valor do cr\u00e9dito apurado do Reintegra n\u00e3o ser\u00e1 computado na base de c\u00e1lculo do IRPJ e CSLL, a qual foi devidamente regulamentada atrav\u00e9s do Decreto n\u00ba 8.304\/2014.<\/p>\n<p>Ou seja, a lei deve ser interpretada de forma teleol\u00f3gica e sistem\u00e1tica, para que os fins da norma sejam respeitados e garantidos em sua integralidade, bem como observado o disposto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Desta forma, a interpreta\u00e7\u00e3o dada pela Receita Federal em rela\u00e7\u00e3o a natureza jur\u00eddica dos cr\u00e9ditos do Reintegra e sua consequente tributa\u00e7\u00e3o para fins de IRPJ e CSLL \u00e9 totalmente question\u00e1vel, j\u00e1 que parte da jurisprud\u00eancia n\u00e3o coaduna com tal posicionamento, assim como resulta em afronta a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e a Lei instituidora do referido benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Receita Federal do Brasil publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o do \u00faltimo dia 30 a Solu\u00e7\u00e3o de Consulta Cosit 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