{"id":2345,"date":"2018-06-11T00:00:00","date_gmt":"2018-06-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/stf-afasta-majoracao-da-taxa-siscomex\/"},"modified":"2018-06-11T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-11T03:00:00","slug":"stf-afasta-majoracao-da-taxa-siscomex","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/stf-afasta-majoracao-da-taxa-siscomex\/","title":{"rendered":"STF afasta majora\u00e7\u00e3o da taxa SISCOMEX"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1998, as empresas que realizam importa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sujeitas\u00a0ao recolhimento da Taxa de Utiliza\u00e7\u00e3o do Sistema Integrado de Com\u00e9rcio Exterior (SISCOMEX), a cada registro realizado \u2013 Declara\u00e7\u00e3o de Importa\u00e7\u00e3o (DI). Ocorre que, em maio de 2011, a referida taxa foi majorada em mais de 400%, o que levou grande parte dos contribuintes a\u00a0questionar, judicialmente, a legalidade e a constitucionalidade desse aumento.<\/p>\n<p>O SISCOMEX, criado em 1992, tem por finalidade controlar e acompanhar as opera\u00e7\u00f5es com o com\u00e9rcio exterior. Em resumo, a sua operacionaliza\u00e7\u00e3o permite a integra\u00e7\u00e3o das atividades de todos os \u00f3rg\u00e3os gestores do com\u00e9rcio exterior e \u00f3rg\u00e3os aduaneiros, viabilizando o acompanhamento, a orienta\u00e7\u00e3o e o controle das diversas etapas dos processos de exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Taxa de Utiliza\u00e7\u00e3o do SISCOMEX, por sua vez, foi institu\u00edda pelo artigo 3\u00ba da Lei n.\u00ba 9.716\/1998, que estabeleceu o valor de R$ 30 por DI registrada e de R$ 10 por cada adi\u00e7\u00e3o de mercadoria \u00e0 DI, podendo esses valores, segundo estabelece a lei, serem reajustados mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, a depender da varia\u00e7\u00e3o dos custos de opera\u00e7\u00e3o e dos investimentos no SISCOMEX.<\/p>\n<p>Ocorre que, em 23 de maio de 2011, foi publicada a Portaria do Minist\u00e9rio da Fazenda n.\u00ba 257\/2011, que majorou a Taxa do SISCOMEX de R$ 30 para R$ 185 por DI, e de R$ 10 para R$ 29,50 por adi\u00e7\u00e3o de mercadoria \u00e0 DI.<\/p>\n<p>Diante da ilegalidade da Portaria, o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o vem declarando inexig\u00edvel o reajuste da Taxa de Utiliza\u00e7\u00e3o do SISCOMEX, somente no que se refere ao valor acima da aplica\u00e7\u00e3o do percentual de 131,60%, que corresponde \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, medida pelo INPC entre janeiro de 1999 e abril de 2011. Em outras palavras, de acordo com esse entendimento a Taxa passaria a ser de R$ 69,48 por DI, em vez de R$ 185, posto que poss\u00edvel apenas o reajuste decorrente da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, a despeito das decis\u00f5es mencionadas,\u00a0no dia 28 de maio de 2018,\u00a0foi publicado o ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal que, por unanimidade de votos, decidiu n\u00e3o ser poss\u00edvel a majora\u00e7\u00e3o da Taxa SISCOMEX por norma infralegal, nas hip\u00f3teses em que o legislador n\u00e3o define padr\u00f5es m\u00ednimos e m\u00e1ximos para fixa\u00e7\u00e3o do tributo. Intenta-se, com isso, evitar o arb\u00edtrio da autoridade delegada.<\/p>\n<p>Em que pese o argumento da Uni\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel o reajuste da referida taxa, com base na varia\u00e7\u00e3o dos custos de opera\u00e7\u00e3o, o Ministro Dias Toffoli, em seu voto-relator, negou provimento ao recurso da Fazenda. Em seu voto argumenta que \u201c<em>a delega\u00e7\u00e3o contida no art. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei 9.716\/98 restou incompleta ou defeituosa, pois o legislador n\u00e3o estabeleceu o desenho m\u00ednimo que evitasse o arb\u00edtrio fiscal\u201d<\/em>. Sendo assim, uma vez que os padr\u00f5es de reajuste n\u00e3o est\u00e3o previstos em lei, s\u00f3 seria poss\u00edvel a altera\u00e7\u00e3o do valor da taxa com base na atualiza\u00e7\u00e3o anual \u2013 de acordo com os \u00edndices oficiais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o entendimento do STF \u00e9 mais ben\u00e9fico aos contribuintes do que o proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, pois\u00a0 assegurou o direito de recolher a taxa a partir dos valores vigentes anteriormente \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da Portaria MF n.\u00ba 257\/2011.<\/p>\n<p>Embora esse precedente n\u00e3o vincule todos os contribuintes, entendemos que tem grande relev\u00e2ncia, pois \u00e9 o primeiro pronunciamento do STF sobre o m\u00e9rito da discuss\u00e3o e pode come\u00e7ar a ser aplicado pelos Tribunais regionais.<\/p>\n<p><strong>Autor: Pedro Henrique Fontanez \u00e9 especialista em Direito Tribut\u00e1rio no escrit\u00f3rio de advocacia Marins Bertoldi. <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1998, as empresas que realizam importa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sujeitas\u00a0ao recolhimento da Taxa de Utiliza\u00e7\u00e3o do Sistema Integrado de Com\u00e9rcio Exterior 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