{"id":2663,"date":"2020-09-09T00:00:00","date_gmt":"2020-09-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/o-procedimento-de-apuracao-de-responsabilidade-tributaria-pela-pgfn\/"},"modified":"2020-09-09T00:00:00","modified_gmt":"2020-09-09T03:00:00","slug":"o-procedimento-de-apuracao-de-responsabilidade-tributaria-pela-pgfn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/o-procedimento-de-apuracao-de-responsabilidade-tributaria-pela-pgfn\/","title":{"rendered":"O procedimento de apura\u00e7\u00e3o de responsabilidade tribut\u00e1ria pela PGFN"},"content":{"rendered":"<p>A Portaria PGFN n. 948\/2017 estabelece o Procedimento Administrativo de Reconhecimento de Responsabilidade \u2013 PARR, com vistas \u00e0 apura\u00e7\u00e3o de responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiros pela pr\u00e1tica da infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, especificamente a dissolu\u00e7\u00e3o irregular de pessoa jur\u00eddica. Entretanto, ap\u00f3s quase tr\u00eas anos de sua edi\u00e7\u00e3o, percebe-se, recentemente, uma maior movimenta\u00e7\u00e3o por parte da PGFN para instaura\u00e7\u00e3o do referido procedimento administrativo, o que \u00e9 preocupante pois, da forma como consignado na legisla\u00e7\u00e3o em reg\u00eancia, h\u00e1 algumas nulidades que merecem aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Primeiro ponto que se destaca \u00e9 quanto a modifica\u00e7\u00e3o pela PGFN do sujeito passivo de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio j\u00e1 constitu\u00eddo administrativamente, em manifesta afronta ao artigo 142 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional. Isto porque, referido dispositivo \u00e9 claro ao prever que compete privativamente \u00e0 Autoridade Administrativa a identifica\u00e7\u00e3o do sujeito passivo ao lan\u00e7ar o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio. N\u00e3o por outra raz\u00e3o, a S\u00famula 392 do STJ veda a modifica\u00e7\u00e3o do sujeito passivo da Execu\u00e7\u00e3o Fiscal, na hip\u00f3tese de substitui\u00e7\u00e3o da Certid\u00e3o de D\u00edvida Ativa, pois se trata de corre\u00e7\u00e3o de erro material.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ponto da Portaria \u00e9 quanto a limita\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio do direito constitucional ao contradit\u00f3rio e ampla defesa pelo contribuinte, j\u00e1 que prev\u00ea em seu artigo 4\u00ba, \u00a72\u00ba que a impugna\u00e7\u00e3o dever\u00e1 se limitar \u00e0 discuss\u00e3o objeto do procedimento, vale dizer, exclusivamente no que tange aos elementos de sua responsabiliza\u00e7\u00e3o. \u00c0 vista disso, cumpre questionar: se estamos diante da responsabiliza\u00e7\u00e3o do sujeito passivo por cr\u00e9dito tribut\u00e1rio prescrito, por exemplo, a impugna\u00e7\u00e3o do contribuinte sequer ser\u00e1 conhecida pela Autoridade respons\u00e1vel pelo julgamento por n\u00e3o se relacionar \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inclusive, os aspectos inerentes \u00e0 Autoridade respons\u00e1vel nos levam ao terceiro ponto.A Portaria determina que o recurso interposto face \u00e0 decis\u00e3o que rejeitou a Impugna\u00e7\u00e3o ao PARR ser\u00e1 julgado pela pr\u00f3pria PGFN. Isso significa que a PGFN \u00e9 credora e julgadora ao mesmo tempo, o que, \u00e0 evid\u00eancia, coloca em xeque a imparcialidade da an\u00e1lise dos argumentos de defesa do contribuinte-impugnante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, verificou-se que na pr\u00e1tica a execu\u00e7\u00e3o do Procedimento se mostra igualmente infeliz. Isso porque, constatou-se, em mais de uma oportunidade, que a PGFN passou a notificar os supostos respons\u00e1veis pessoais para o pagamento do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, mediante a instaura\u00e7\u00e3o do PARR, em decorr\u00eancia da mera inaptid\u00e3o do cadastro CNPJ da sociedade, considerada pela PGFN como um \u201cind\u00edcio de sua dissolu\u00e7\u00e3o irregular\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, a situa\u00e7\u00e3o de inaptid\u00e3o do CNPJ da pessoa jur\u00eddica, al\u00e9m de n\u00e3o representar, sob qualquer perspectiva, a dissolu\u00e7\u00e3o irregular da sociedade, trata-se de formalidade cadastral, cuja irregularidade, em alguns casos, pode ser tempor\u00e1ria e posteriormente corrigida pelo pr\u00f3prio contribuinte (IN RFB 1863\/2018), o que logicamente n\u00e3o implica no encerramento irregular das atividades pela sociedade. Al\u00e9m disso, para a responsabiliza\u00e7\u00e3o prevista no art. 135, III do CTN, \u00e9 indiscut\u00edvel a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas pelo s\u00f3cio\/administrador previstas no referido artigo e n\u00e3o meros ind\u00edcios, \u00f4nus que incumbe, exclusivamente, \u00e0 PGFN.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desta forma, a conclus\u00e3o que se chega \u00e9 a de que a promessa de <em>conferir o direito de defesa ao Impugnante por meio do PARR \u2013 <\/em>cuja pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o \u00e9 controversa ante as nulidades inicialmente pontuadas \u2013, para justificar a pretens\u00e3o de responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de s\u00f3cios\/administradores de empresas com base em meros ind\u00edcios, contraria a proposta de amplia\u00e7\u00e3o da defesa do contribuinte, em verdadeira viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da legalidade, seguran\u00e7a jur\u00eddica, contradit\u00f3rio e ampla defesa, corol\u00e1rios das garantias individuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernanda Luiza Tumelero \u00e9 p\u00f3s-graduanda pelo IBET e advogada tributarista do escrit\u00f3rio Marins Bertoldi Advogados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Portaria PGFN n. 948\/2017 estabelece o Procedimento Administrativo de Reconhecimento de Responsabilidade \u2013 PARR, com vistas \u00e0 apura\u00e7\u00e3o de 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