{"id":3091,"date":"2023-11-17T00:00:00","date_gmt":"2023-11-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/stf-volta-a-julgar-a-cessacao-automatica-dos-efeitos-futuros-da-coisa-julgada\/"},"modified":"2024-06-07T17:03:38","modified_gmt":"2024-06-07T20:03:38","slug":"stf-volta-a-julgar-a-cessacao-automatica-dos-efeitos-futuros-da-coisa-julgada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marinsbertoldi.com.br\/en\/stf-volta-a-julgar-a-cessacao-automatica-dos-efeitos-futuros-da-coisa-julgada\/","title":{"rendered":"STF volta a julgar a cessa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dos efeitos futuros da coisa julgada"},"content":{"rendered":"<p>No dia 08\/02\/2023, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os temas 881 e 885, sob relatoria dos ministros Edson Fachin e Lu\u00eds Roberto Barroso respectivamente, fixou as teses de que: \u201c1. As decis\u00f5es do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores \u00e0 institui\u00e7\u00e3o do regime de repercuss\u00e3o geral, n\u00e3o impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo nas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas tribut\u00e1rias de trato sucessivo. 2. J\u00e1 as decis\u00f5es proferidas em a\u00e7\u00e3o direta ou em sede de repercuss\u00e3o geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decis\u00f5es transitadas em julgado nas referidas rela\u00e7\u00f5es, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo.\u201d<\/p>\n<p>A Suprema Corte, ao tratar dos impactos da coisa julgada formada nas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddico-tribut\u00e1rias de trato continuado consagrou, portanto, a possibilidade de cessa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de seus efeitos, ap\u00f3s decis\u00f5es proferidas em controle concentrado de constitucionalidade ou em repercuss\u00e3o geral em sentido contr\u00e1rio, desde que respeitada a irretroatividade e a anterioridade tribut\u00e1ria a qual o tributo esteja submetido.<\/p>\n<p>Significa dizer que, caso o STF declare constitucional a cobran\u00e7a do tributo questionado, as empresas que eventualmente tenham tido \u00eaxito para afastamento da cobran\u00e7a em a\u00e7\u00f5es abarcadas pela coisa julgada, dever\u00e3o passar a pagar automaticamente o tributo declarado constitucional. No mesmo sentido, caso o entendimento do STF, em sede de repercuss\u00e3o geral ou controle concentrado de constitucionalidade, repute inconstitucional dada exig\u00eancia tribut\u00e1ria, eventuais decis\u00f5es desfavor\u00e1veis ao contribuinte que tenham transitado em julgado anteriormente perdem imediatamente a efic\u00e1cia de seus efeitos futuros.<\/p>\n<p>Apesar desse entendimento, bastante pol\u00eamico, a decis\u00e3o proferida nos Temas 881 e 885 est\u00e1 longe de acabar com a coisa julgada, na medida em que autorizou a cessa\u00e7\u00e3o de seus efeitos apenas para o per\u00edodo futuro, ap\u00f3s a mudan\u00e7a de entendimento pelo STF em repercuss\u00e3o geral, sendo mantida a irretroatividade para os per\u00edodos passados.<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia, no entanto, reside na aus\u00eancia de modula\u00e7\u00e3o dos efeitos dessa decis\u00e3o, uma vez que a tese fixada nos temas 881 e 885, abriu espa\u00e7o para o questionamento se o termo inicial para os pagamentos estaria configurado a partir da fixa\u00e7\u00e3o da tese em 2023 ou a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento dos casos em que se decida pela constitucionalidade do tributo, em controle concentrado ou em controle difuso com repercuss\u00e3o geral, respeitada a anterioridade correlata.<\/p>\n<p>Para responder ao referido questionamento, com escopo de modula\u00e7\u00e3o dos efeitos, foram opostos embargos de declara\u00e7\u00e3o, julgados na sess\u00e3o de 16\/11\/2023, em que o Ministro Relator Lu\u00eds Roberto Barroso aduziu que as teses fixadas nos temas 881 e 885 deveriam produzir efeitos desde a publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento da constitucionalidade do tributo, descartando a modula\u00e7\u00e3o de efeitos pretendida, posicionamento seguido pela maioria dos Ministros.<\/p>\n<p>O Ministro Luiz Fux e Edson Fachin, todavia, entenderam de forma favor\u00e1vel ao contribuinte, de modo que votaram para que a produ\u00e7\u00e3o de efeitos dos temas 881 e 885 ocorra a partir de sua fixa\u00e7\u00e3o, em respeito \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e previsibilidade.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, houve a suspens\u00e3o do julgamento dos aclarat\u00f3rios, em decorr\u00eancia do pedido de vista do Ministro Dias Toffoli para finaliza\u00e7\u00e3o de seu voto.<\/p>\n<p><strong>Por\u00a0Amanda Botelho de Moraes e Lucas de Almeida Correia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 08\/02\/2023, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os temas 881 e 885, sob relatoria dos ministros Edson Fachin 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