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Sistemas de inteligĂȘncia artificial: coisa do futuro ou realidade imediata?

Publicado em: 14 Nov 2016

A notĂ­cia que um escritĂłrio de advocacia dos Estados Unidos jĂĄ adotou um “robĂŽ-advogado”, despertou um desconforto no mundo jurĂ­dico e fora dele. ROSS, como foi batizado, nĂŁo farĂĄ sustentação oral nos tribunais, como talvez o leitor o tenha inicialmente imaginado.  No escritĂłrio de advocacia, ROSS estarĂĄ Ă  disposição dos advogados respondendo perguntas. Com grande capacidade de processamento, ele Ă©, na verdade, um banco de dados que contĂ©m enorme quantidade de informaçÔes jurĂ­dicas. Tendo um “colega” assim tĂŁo douto, Ă© possĂ­vel economizar tempo com pesquisas na extensa literatura jurĂ­dica, necessĂĄrias para preparar uma defesa.

A novidade fez com que as pessoas passassem a questionar mais fortemente que profissÔes sofrerão menor impacto e quais serão extintas quando essa realidade estiver ao nosso alcance, ou seja, quando for economicamente viåvel implantå-la por aqui, não somente na esfera jurídica, mas em diversas outras.

Kris Hammond, da Universidade americana de Northwestern, especialista em interação homem-mĂĄquina, afirma que a crença de que computadores sĂŁo incapazes de avaliar o que estĂĄ acontecendo e tomar decisĂ”es jĂĄ pode ser encarada como incorreta. Acredita-se que as pessoas sĂŁo mais eficazes para essa função, mas, na verdade, elas seriam mais propensas a errar por causa, vejam sĂł, de seus preconceitos – novamente eles cerceando o desenvolvimento humano – que influenciam suas escolhas. Crenças, pressupostos, preconceitos, experiĂȘncias, percepçÔes e valores tĂȘm papel determinante na tomada de decisĂŁo individual. Uma sĂ©rie de teorias procuram explicar as ocorrĂȘncias sistemĂĄticas de erros e vieses que atrapalham os julgamentos humanos. Os interessados em se aprofundar nesta questĂŁo podem procurar: viĂ©s do excesso de confiança, viĂ©s da ancoragem, viĂ©s de confirmação, viĂ©s da disponibilidade, viĂ©s da compreensĂŁo tardia.

E as decisĂ”es tomadas em grupo, em que se afirma que “duas cabeças ou mais pensam melhor que uma”? Nem assim vencerĂ­amos o robĂŽ! É claro que no grupo somam-se informaçÔes e experiĂȘncias que geram reflexĂ”es mais ricas e profundas sobre problemas complexos ao analisar maior gama de variĂĄveis, gerando por sua vez, mais ideias para o processo de tomada de decisĂŁo. Mas ainda nesta situação podem ocorrem fenĂŽmenos que prejudicam o julgamento como o pensamento grupal, que ocorre quando os membros do grupo estĂŁo obcecados por uma dada alternativa e passam a buscar a unanimidade, “atropelando” a avaliação das demais e a expressĂŁo de pontos de vista divergentes e pressionando membros que colocam em dĂșvida a alternativa preferida da maioria. Assim, aquele que tem dĂșvida desiste de expor sua apreensĂŁo ou atĂ© passa a minimizar para si mesmo a importĂąncia dela e se mantĂ©m em silĂȘncio, o qual serĂĄ interpretado como concordĂąncia e aprovação. O resultado Ă© que pode haver uma avaliação incorreta do problema ocasionada pela busca ineficiente de informaçÔes, a ocorrĂȘncia de vieses seletivos no processamento delas, a geração limitada de alternativas, a avaliação precipitada e incompleta destas, o exame superficial dos riscos, entre outros aspectos que levam a decisĂ”es incorretas que, apĂłs terem sido tomadas, tem-se a impressĂŁo que poderiam ser evitadas e muitas delas, de fato poderiam.

Por tudo isso, Ă© possĂ­vel concluir que os sistemas de inteligĂȘncia artificial nos serĂŁo muito Ășteis e terĂŁo maior impacto em ĂĄreas que requerem a anĂĄlise de grande quantidade de dados como advocacia, e seu uso serĂĄ intensificado na medida em que haja recursos. Que o desconforto sirva para nos impulsionar em direção Ă  adaptação a este mundo volĂĄtil que vivemos. É um caminho sem volta!

Texto produzido por Laísa Weber Prust, especialista em Recursos Humanos do Marins Bertoldi Advogados Associados, e publicado em seu blog.

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